Um pouco de metodologias ágeis, psicologia cognitiva e eficiência em seus projetos

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Já pensou em como o comportamento instintivo de seus colaboradores podem influenciar significativamente a forma de como as tarefas diárias são conduzidas nos projetos de sua empresa? E que existem métodos que usam estes comportamentos, inerentes as nossas características cognitivas,  como aliados para aumentar a eficiência nos resultados?
Metodologias ágeis são ótimos exemplos, em termos de boas práticas, cultura organizacional e ferramentas que trabalham em sintonia com as características cognitivas dos seres humanos.

Empresas que adotam metodologias ágeis no processo de desenvolvimento de suas ideias e produtos, tem maiores chances de sucesso, lançando produtos mais competitivos, eficientes e em um menor período de tempo. Jeff Sutherland, um dos criadores do Scrum e da formulação dos Doze Princípios do manifesto ágil , demonstra este fato em seu livro “Scrum – arte de fazer o dobro de trabalho na metade do tempo”, como consultor ele apresenta diversos casos verídicos de empresas que revolucionaram a forma como desenvolvem produtos.

Aqui vou explicar duas técnicas usadas por times que trabalham com Scrum e como estas técnicas buscam se alinhar com a natureza cognitiva humana, com o objetivo de extrair o melhor dos colaboradores de um projeto.

Pôquer do Planejamento (Porque a sequência de Fibonacci para estimar tamanho de tarefas?)

cartas do pôquer de planejaneto

No planejamento de uma sprint, uma técnica é utilizada para estimar o tamanho do trabalho a ser realizado por história (funcionalidade a ser desenvolvida na sprint), chamada Pôquer do Planejamento. Segundo Sbrocco e Macedo (2012), um conjunto de cartas enumeradas estrategicamente são entregues aos integrantes da equipe que estão sentados em uma mesa, ou seja, todos tem o mesmo conjunto de cartas com a mesma enumeração. Um dos integrantes apresenta uma história e explica como ela funcionará. Quando todos os participantes entendem esta história, eles devem colocar uma carta na mesa (virada para baixo) com o número correspondente ao grau de complexidade para implementar aquela funcionalidade.

Sutherland (2014) explica que a forma de enumerar as cartas segue o padrão da sequência de Fibonacci. Por um motivo inerente à psicologia cognitiva humana, segundo o autor, a sequência de Fibonacci está em todos os elementos da natureza, inclusive nos seres humanos. Por isso. tem-se uma facilidade intuitiva em perceber a distância entre os números de Fibonacci e assim, é realizada uma escolha mais condizente com o grau de complexidade que se deseja atribuir.

Difusão de Responsabilidade e o modelo de retrospectiva do Scrum (Cada tarefa tem um responsável direto)

imagem difusão de responsabilidade

Estudos psicossociais realizados por Darley e Latané (1968), mostram que em situação de emergência onde uma pessoa em apuros pede ajuda, as chances dela receber uma resposta ao seu pedido é inversamente proporcional ao número de pessoas no local ( PEREIRA , 2014), ou seja, quando há um pedido de socorro generalizado a todas as pessoas que estão em volta, existem poucas chances deste pedido ser atendido. Em contra partida, se o pedido de ajuda for destinado a uma pessoa específica, as chances dele ser atendido é maior. Este comportamento humano é chamado de difusão de responsabilidade ou paralisia coletiva, que resume em um fenômeno pelo qual uma pessoa tem menos probabilidade de assumir uma responsabilidade quando outras pessoas estão presentes. Isto ocorre porque os indivíduos presumem que alguém já assumiu a responsabilidade em questão ( DARLEY; LATANé , 1968).

Nas metodologias ágeis, existe um modelo de retrospectiva, que se caracteriza como uma lista de itens a serem executados ou action items, sendo que cada item da lista possui um responsável chamado de action owners. No momento em que é verificado o status destes itens, seus respectivos responsáveis ou proprietários são chamados para expor o andamento da tarefa. Quando um item tem um proprietário, a probabilidade daquela ação ser concluída é maior em comparação ao caso do item sem proprietário ( PEREIRA , 2014). Por este motivo, métodos ágeis adotam estratégias para evitar a difusão de responsabilidade, como atribuir um responsável para cada tarefa em um backlog.

Essas e outras diversas técnicas seguidas em metodologias de desenvolvimento ágeis, buscam usar a psicologia cognitiva como aliada para extrair o melhor do ser humano, tornando a execução de projetos, um trabalho divertido, agradável e estimulante. A Pluritech usa diversas técnicas ágeis em seus projetos buscando eficiência, qualidade e efetividade. Venha tomar um café com a gente para que possamos explicar tudo sobre nossos processos e o ótimo resultado que podemos alcançar juntos.

Quer saber mais sobre este assunto? Temos várias referencias legais para você se aprofundar mais:

  1. ThoughtWorks, Antologia Brasil Historias de aprendizado e inovação. (Fabio Pereira fala especificamente sobre este tema no capitulo 4 “Psicologia cognitiva explicando Ágil”)
  2. Scrum – arte de fazer o dobro de trabalho na metade do tempo. 1º edição (Jeff Sutherland, aprensenta o Scrum como uma metodologia ágil que pode ser aplicado em qualquer projeto de qualquer área)
  3. Metodologias Ágeis Engenharia de Software Sob Medida. 1º edição (SBROCCO e MACEDO apresenta o Scrum de forma prática aplicada ao desenvolvimento de software)
  4. Demonstrando a Eficácia da Metodologia Ágil para Processo de Software com Psicologia Cognitiva. Artigo sobre o tema, desenvolvido pelo colaborador da Pluritech, Lucas Corrêa.  No qual reuni diversas técnicas ágeis e as correlaciona com a psicologia cognitiva, aplicando testes em um grupo de pessoas para comprovar os resultados. Para fazer o download do artigo, clique aqui.